Orgulho de ser brasileiro?

Nacionalidade é uma coisa intrigante. É um dos primeiros rótulos que uma pessoa recebe, um que a acompanha pelo resto da vida. Como acontece com todo rótulo, muitos preconceitos e estereótipos são baseados na nacionalidade. Desavenças são criadas, discórdia é gerada e guerras são travadas, tudo em nome do local onde você nasce e vive. Mesmo que isso, na verdade, diga muito pouco sobre quem você é.

Neste post na Papo de Homem, o autor narra sua experiência em terras estrangeiras e compara as diversas culturas e características com as do nosso país. Mesmo que apresente muitos pontos válidos, há uma generalização muito grande, uma quase xenofobia, presente no texto. Do mesmo modo que ele critica a visão estereotipada que os gringos tem de nós ele demonstra para com os gringos.

De maneira inversa, este post do Cardoso mostra uma quase vergonha de ser brasileiro. A opinião de que barbarismos como os saques que ocorreram em Santa Catarina só acontecem por aqui, e nunca em terras “civilizadas”, é tão equivocada quanto exaltar nossa nação e depreciar as outras. Como comentei no próprio post, filho da puta existe em todo o lugar.

O fato é que humanos são humanos. Tão diversos uns dos outros, e ainda assim tão parecidos. Existem todos os tipos de pessoas em todos os lugares do mundo: pessoas boas e solidárias, pessoas indiferentes e passivas, pessoas cruéis e maliciosas, pessoas cordiais, pessoas mal humoradas, pessoas extrovertidas, introvertidas. Em todas as culturas. Em todas as nações.

É claro que a cultura, a história, os hábitos, a localização, entre outros fatores, influenciam no comportamento de determinados grupos de pessoas, mas não podemos desconsiderar o gosto pessoal de cada cidadão. Apesar da visão que se tem de que brasileiro adora praia e futebol, eu prefiro o clima mais ameno das montanhas e não ligo tanto pra futebol, e tenho certeza de que muitos brasileiros compartilham da mesma opinião.

E ainda que personalidade e gosto pessoal variem de indivíduo pra indivíduo, a força do rótulo “nacionalidade” é grande e, muitas vezes, determina certas características da sociedade como um todo. A mania do brasileiro de dar jeitinho em tudo, por exemplo, pode não ser praticada por muitos, mas é uma atitude muito comum em qualquer lugar do país. São essas características, positivas e negativas, que nos definem como povo, que nos distinguem de outras nações. E essa distinção, normalmente, gera o sentimento de nacionalismo.

Digo normalmente porque, no Brasil, o nacionalismo é meio que sazonal. Como canta Os Seminovos, brasileiro só tem “muito orgulho e muito amor” em época de Copa do Mundo e Olimpíadas. Se a mídia alardeia o nacionalismo, todo mundo é nacionalista. Mas na hora de prestar o serviço militar (que deveria ser voluntário e bem pago), de pagar os impostos (que deveriam ser mais amenos e bem aplicados) ou de cobrar atitudes dos governantes (que deveriam ser bem escolhidos), o brasileiro pensa primeiro no próprio rabo.

Eu me considero um nacionalista de verdade. Fico orgulhoso quando o barbudão defende a nação e enfrenta os gringos, mesmo sabendo que tudo não passa de mera demagogia. Fico empolgado com conquistas e descobertas de cientistas brasileiros, mesmo sabendo que elas ainda sejam pequenas comparadas com as estrangeiras. Acima de tudo, meu maior sonho é ver o Brasil se tornar uma grande nação, um dos líderes mundiais, como alguns economistas prevêem.

E acho que isso é possível, apesar dos vícios do povo brasileiro, porque sei que humanos são humanos, e os outros povos têm seus próprios defeitos. Gente medíocre não é exclusividade do Brasil, existe aos montes em qualquer lugar. São as grandes mentes que fazem o mundo andar, e acredito que existam muitas por aqui.

Não que isso me faça ter grandes esperanças na humanidade.

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