Nós vivemos em um chiqueiro?

Dezembro 10, 2008

Um dos hábitos mais repugnantes que o brasileiro tem é o de jogar lixo na rua. Toda vez que vejo alguém sujando as ruas da minha querida cidade, tenho vontade de espancar o verme desprezível até sobrar uma massa irreconhecível de carne e sangue. Felizmente, até hoje eu consegui conter meus instintos psicóticos.

Eu desconheço a racionalização por trás dessa prática abominável. Preguiça? Comodidade? Será que os idiotas não percebem que, ao jogar lixo nas ruas, contribuem para que os esgotos entupam, causando enchentes ao menor sinal de chuva? Qual o trabalho em se guardar um papel de bala ou saco de salgadinho na bolsa ou na mochila até achar uma lixeira ou chegar em casa? Por falar em casa, será que esses imundos que sujam as vias e locais públicos tratam da mesma forma seu lar? O que achariam se alguém simplesmente jogasse lixo em seu quintal?

Em países desenvolvidos, essa prática é punida severamente com multas pesadas, ou até mesmo prisão em casos de reincidência. No Japão, por exemplo, os fumantes andam com cinzeiros portáteis onde depositam as cinzas de seus cigarros enquanto estão na rua. Claro que também existem os porcalhões por lá também, mas as autoridades tomam providências e os cidadãos se organizam para realizar a limpeza, conscientizar a população e educar as crianças de que sujar nosso ambiente prejudica a nós mesmos.

Multa de $1000 pra quem sujar o chão

Multa de $1000 pra quem sujar o chão

Já por aqui, tais iniciativas até existem, mas aparentemente são insuficientes para combater a legião de seres sórdidos que insistem em espalhar sua imundice pelo mundo. Aqui em São Paulo eu ainda não vi uma rua que estivesse totalmente limpa: mesmo que existam lixeiras espalhadas pela cidade, até dentro dos ônibus, as pessoas continuam jogando o lixo nas vias, e os garis nem se dão o trabalho de limpar tudo direito. Eu nem sei se existe uma lei por aqui que puna esse tipo de atitude, e mesmo que exista não há fiscais para aplicá-la.

Mas esperar do que de um país em que os próprios políticos, representantes do povo, emporcalham as ruas com seus panfletos e “santinhos” a cada eleição?


A educação tem solução?

Dezembro 8, 2008

Não é de hoje que o ensino no Brasil é deficiente e inadequado. Há décadas a qualidade da educação brasileira é questionável, e a cada ano que passa fica pior. Reportagens como essa não são novidade, todos os anos recebemos aquelas infames listas com pérolas do vestibular. A questão é: existe algum modo de melhorar a qualidade do ensino brasileiro?

Talvez até exista uma solução, mas nenhuma providência será tomada e a tendência é que cada vez mais a qualidade do ensino se deteriore.

Isso pode ter soado bem pessimista, mas eu explico: o mais importante para que se melhore a educação, como qualquer outra coisa, é que haja vontade política. O problema é que, para os políticos, uma massa ignorante é muito mais interessante do que um povo culto, que questione as improbidades e cobre atitudes dos governantes. Um povo idiota é facilmente manipulável, vulnerável a demagogias e distrações, e assim nossos queridos representantes podem continuar seu rodízio de pizza sem maiores preocupações.

E mesmo que houvesse essa vontade política de mudar, de melhorar o sistema educacional brasileiro, de garantir a qualidade do ensino, isso não seria nada fácil. Os educadores já não têm competência para ensinar, pois eles mesmo receberam uma educação deficiente; as crianças já não têm motivação para aprender, pois seus ídolos (jogadores de futebol, participantes do Big Bosta Brother Brasil, MCs de fuck funk) não precisaram de estudo para ganhar seus milhões e fazer sucesso; e pra piorar, pedagogos e psicólogos ficam dando palpites idiotas ao invés de fazer algo de útil.

Vós que aqui entrais, abandoneis toda a esperança. O futuro Idiocracy está chegando.


Orgulho de ser brasileiro?

Dezembro 4, 2008

Nacionalidade é uma coisa intrigante. É um dos primeiros rótulos que uma pessoa recebe, um que a acompanha pelo resto da vida. Como acontece com todo rótulo, muitos preconceitos e estereótipos são baseados na nacionalidade. Desavenças são criadas, discórdia é gerada e guerras são travadas, tudo em nome do local onde você nasce e vive. Mesmo que isso, na verdade, diga muito pouco sobre quem você é.

Neste post na Papo de Homem, o autor narra sua experiência em terras estrangeiras e compara as diversas culturas e características com as do nosso país. Mesmo que apresente muitos pontos válidos, há uma generalização muito grande, uma quase xenofobia, presente no texto. Do mesmo modo que ele critica a visão estereotipada que os gringos tem de nós ele demonstra para com os gringos.

De maneira inversa, este post do Cardoso mostra uma quase vergonha de ser brasileiro. A opinião de que barbarismos como os saques que ocorreram em Santa Catarina só acontecem por aqui, e nunca em terras “civilizadas”, é tão equivocada quanto exaltar nossa nação e depreciar as outras. Como comentei no próprio post, filho da puta existe em todo o lugar.

O fato é que humanos são humanos. Tão diversos uns dos outros, e ainda assim tão parecidos. Existem todos os tipos de pessoas em todos os lugares do mundo: pessoas boas e solidárias, pessoas indiferentes e passivas, pessoas cruéis e maliciosas, pessoas cordiais, pessoas mal humoradas, pessoas extrovertidas, introvertidas. Em todas as culturas. Em todas as nações.

É claro que a cultura, a história, os hábitos, a localização, entre outros fatores, influenciam no comportamento de determinados grupos de pessoas, mas não podemos desconsiderar o gosto pessoal de cada cidadão. Apesar da visão que se tem de que brasileiro adora praia e futebol, eu prefiro o clima mais ameno das montanhas e não ligo tanto pra futebol, e tenho certeza de que muitos brasileiros compartilham da mesma opinião.

E ainda que personalidade e gosto pessoal variem de indivíduo pra indivíduo, a força do rótulo “nacionalidade” é grande e, muitas vezes, determina certas características da sociedade como um todo. A mania do brasileiro de dar jeitinho em tudo, por exemplo, pode não ser praticada por muitos, mas é uma atitude muito comum em qualquer lugar do país. São essas características, positivas e negativas, que nos definem como povo, que nos distinguem de outras nações. E essa distinção, normalmente, gera o sentimento de nacionalismo.

Digo normalmente porque, no Brasil, o nacionalismo é meio que sazonal. Como canta Os Seminovos, brasileiro só tem “muito orgulho e muito amor” em época de Copa do Mundo e Olimpíadas. Se a mídia alardeia o nacionalismo, todo mundo é nacionalista. Mas na hora de prestar o serviço militar (que deveria ser voluntário e bem pago), de pagar os impostos (que deveriam ser mais amenos e bem aplicados) ou de cobrar atitudes dos governantes (que deveriam ser bem escolhidos), o brasileiro pensa primeiro no próprio rabo.

Eu me considero um nacionalista de verdade. Fico orgulhoso quando o barbudão defende a nação e enfrenta os gringos, mesmo sabendo que tudo não passa de mera demagogia. Fico empolgado com conquistas e descobertas de cientistas brasileiros, mesmo sabendo que elas ainda sejam pequenas comparadas com as estrangeiras. Acima de tudo, meu maior sonho é ver o Brasil se tornar uma grande nação, um dos líderes mundiais, como alguns economistas prevêem.

E acho que isso é possível, apesar dos vícios do povo brasileiro, porque sei que humanos são humanos, e os outros povos têm seus próprios defeitos. Gente medíocre não é exclusividade do Brasil, existe aos montes em qualquer lugar. São as grandes mentes que fazem o mundo andar, e acredito que existam muitas por aqui.

Não que isso me faça ter grandes esperanças na humanidade.


Agora o atendimento telefônico melhora?

Dezembro 1, 2008

Hoje entraram em vigor as novas regras para atendimento telefônico das empresas brasileiras. Ainda assim, muitos casos de descumprimento são relatados a todo o momento, não só pela mídia como por amigos e conhecidos. O que, pelo menos para mim, já era de se esperar.

O decreto foi assinado pelo nosso digníssimo presidente no começo de outubro; ou seja, foram dois meses para que as empresas adequassem sua infraestrutura para atender as novas normas. Mas aparentemente aqui no nosso Brasil veronil, as leis nunca são levadas muito a sério. Sempre se dá um jeitinho, uma outra interpretação às coisas, e tenho uma leve suspeita de que esse vai ser o caso.

Mas no fundo eu espero que não. Espero que, depois que algumas multas milionárias forem aplicadas, as empresas percebam que os custos de descumprimento da lei são maiores do que os custo para reestruturar seus call centers. Espero que o governo faça sua parte e fiscalize. Espero que as coisas melhorem, pelo menos um pouco.

E então o próximo passo seria estabelecer regras para telemarketing. Porque vendedor me ligando às 10 da noite enche o saco tanto quanto ficar meia hora esperando ser atendido.


O brasileiro está menos racista ou mais hipócrita?

Novembro 24, 2008

Uma pesquisa da Folha revelou que o preconceito contra negros no Brasil diminuiu desde 1993 até hoje. Será mesmo?

Segundo a pesquisa, apenas 3% dos entrevistados se declararam preconceituosos, contra 11% há 13 anos. Porém a mesma pesquisa mostra que 91% dos brasileiros ainda vê o Brasil como um país racista. Ou seja, “eu não sou racista, mas os outros são” parece ser o discurso geral. É a onda do politicamente correto que assola a nação.

Acho que o pior de tudo foi, na análise óbvia dos sociólogos sobre a pesquisa, ler a declaração iludida da socióloga Yvonne Maggie de que “O que temos de concreto nesses últimos anos foi que houve uma melhoria radical do sistema educacional no Brasil”. Melhoria radical?! Por Takhisis, me mostra onde! Mesmo que a escolaridade tenha aumentado no Brasil nos últimos anos, isso não quer dizer que houve uma melhoria do sistema educacional. Pelo contrário, isso apenas revela que o sistema está tão ruim que mesmo os estúpidos estão completando o nível superior.

Eu admito que sou um pouco preconceituoso, mas não quanto à etnia ou origem, e sim quanto à capacidade intelectual. Se um sujeito chega falando “é nóis” e “pra mim fazer”, eu já nem quero conversa. Odeio gente burra mais que tudo no mundo, e isso rompe qualquer barreira racial que a sociedade possa ter imposto. Mas gente hipócrita não fica muito atrás na minha lista de “vermes insignificantes”, e infelizmente a maioria dos brasileiros se enquadra nas duas categorias.


O que é mp9?

Novembro 15, 2008

Andando por essas galerias infestadas de produtos chineses (ou mesmo procurando no Google), pode-se achar uma grande variedade de bugigangas digitais à venda. Qualquer vendedor pode te oferecer desde os arcaicos mp3 aos recentes mp9. Mas o que diabos essas siglas querem dizer?

Mp3 é, de maneira simplificada, um método de compressão de áudio, com perda de dados praticamente imperceptível aos nossos ouvidos. De maneira similar, mp4 é um formato de compressão de áudio e vídeo. Seguindo a lógica, quando ouvi falar que havia um mp5, pensei que haviam criado algum tipo de formatação para hologramas. Mas se tratava apenas de um aparelho chinfrim que, além de tocar músicas em formato mp3 e vídeos em um formato esquisito que definitivamente não era mp4, também tira fotos.

Não é incrível como as pessoas falam cretinices e inventam termos sem nem ter noção do que estão falando?

Os boçais devem pensar que mp3 e mp4 se referem aos players, e não ao formato de arquivo, e simplesmente nomeiam um modelo mais novo ou com uma funcionalidade a mais com um número maior. A estupidez desses seres ditos racionais ainda me impressiona.

Hoje em dia tem até mp10, que além de copiar o iPhone eu já nem sei mais o que faz (mas duvido que faça isso). O pior é que a maioria dos trouxas que acabam comprando um aparelho desses não usa nem 10% das suas funcionalidades. Ouvem música (ou, mais provavelmente, funk), recebem a lavagem cerebral diária, tiram uma foto ou outra e tentam fazer ligações.

Talvez se o próximo aparelho vier com explosivos que arranquem a cabeça dos idiotas que o usarem eleseja de alguma utilidade para a humanidade.


Por que tanta pressa?

Novembro 14, 2008

Não sei se é um mal de cidade grande, mania de brasileiro, ou se é só aqui em São Paulo, mas muitas pessoas vivem com pressa. Saem apressados dos trens do metrô, sobem e descem correndo as escadas rolantes, perseguem ônibus que estão partindo do ponto desesperadamente, se comprimem como sardinha em lata dentro de conduções abarrotadas, e tudo isso pra quê? Ganhar cinco ou dez minutos a mais de lavagem cerebral? Será que chegar em casa um pouco mais cedo compensa passar por isso?

Pessoalmente, acho que não.

Claro que, muitas vezes, não temos escolhas. Durante os anos de faculdade, era obrigado a enfrentar essa horda todos os dias, já que trabalhava na região da Paulista e estudava na Móoca. Mas, dada a escolha, prefiro sair da empresa uma hora mais tarde e voltar pra casa um pouco mais confortável.

Talvez essa pressa seja um imperativo evolucionário, um instinto competitivo que os seres humanos carregam em seu âmago. A necessidade de ser o primeiro, de estar na frente, de vencer seu adversário, mesmo que não haja competição alguma. Ou talvez seja algo mais nobre, uma vontade de compartilhar esse calor humano, de sentir esse contato entre as pessoas enquanto todos seguem juntos na mesma direção, que um pobre cínico como eu é incapaz de entender.

O mais irônico disso tudo é que, normalmente, as pessoas preferem chegar atrasadas do que adiantadas. Marque uma festa às seis, por exemplo, e o pessoal começa a aparecer lá pelas seis e meia, pelo menos. Chegar cedo, ser o primeiro, é incômodo, ninguém gosta. Então, me expliquem, pra que tanta pressa?